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domingo, 29 de junho de 2008

Despertar a Vida em Samonte











Momento de Partilhar o que somos para vivermos a nossa verdadeira Imagem.


Despertar a Vida, uma experiência profunda com Jesus Cristo .

Espiritualidade

Comunicar o que somos - Partilha

Um dos métodos do Despertar a Vida é o Partilhar para vivermos em atitudes de amor, construíndo o Reino de Deus. Em cada Despertar acontecem pequenos milagres, nos enriquecemos, emocionamos, compromete­mos e nos enchemos de Esperança e Amor com a partilha de vida de cada um.
Num primeiro momento, a partilha se encaminha na direção daquilo que somos, sentimos e pensamos, e só depois é que passamos a também partilhar o que temos, as coisas.


Normalmente este segundo momento só ocorre quando convivemos muito tempo juntos em um mesmo grupo.
Para quem deseja partilhar de verdade, é preciso antes de mais nada fazer a experiência do despojamento e do esvaziamento.
Para aquele que vai fazer a partilha. é preciso DESPOJAMEN­TO, ou seja, deixar que aquilo que for ser partilhado seja um despojar-­se de si mesmo, seja uma entrega de si para o outro.
Para aquele que vai receber a partilha, é preciso ESVAZIAMEN­TO de si para poder acolher a partilha do outro do jeito que ela é, sem esse esvaziamento de si, corremos o risco de acolhermos a partilha do outro cheios de nós mesmos e por isso misturarmos o tesouro do outro com nossos julgamentos e preconceitos.



Partilhar é dar um presente ao outro, um presente precioso e tanto mais precioso será quanto mais íntimo for aquilo que partilho. Quando escuto alguém partilhar, escuto em plena profundidade, pois afinal é algo precioso que sai de alguém para chegar até mim, por isso, receber este presente comporta saber guardá-lo num lugar especial dentro de mim, comporta receber sem jamais julgar aquele que me entregou tal presente, comporta não jogá-lo fora ou na frente de qualquer um; comporta sentir-me honrado em ter recebido tamanho tesouro.

Mas como Partilhar,se não tenho coragem
Existem coisas difíceis para partilharmos, existem riscos, exis­tem hesitações, dúvidas... é preciso ousar existir, acreditar que vamos dar um presente precioso e mesmo que o outro não o saiba receber ou não respeite, ou não valorize como você esperaria o presente que você retirou do tesouro de sua vida, mesmo assim Ouse partilhar porque para você isto pode ser muito mais importante do que simplesmente ficar calado.

Não diga, “sou muito pobre!” Partilhe o que você é.
Não diga,” sou muito ignorante!” Partilhe o que você vive.
Não diga, “já estou velho!” Partilhe a sua experiência.
PARTILHE! OUSE EXISTIR!!! Você viverá e fará outros viverem.


Se no entanto seu silêncio falar mais forte que sua voz, aprenda igualmente a partilhar o seu silêncio; o silêncio quando é vivo é também um bem um precioso e inestimável tesouro.


O modo mais prático de se partilhar

Quando você for partilhar, se ponha na partilha,não fora dela; portanto fale na primeira pessoa: EU; não fique no impessoal: nós, agente...
Dizer EU, ajudará você a assumir melhor aquilo que partilha.
Não seja prolixo, atenha-se ao essencial para que o outro possa receber com toda clareza aquilo que você quer oferecer, se você entrar em devaneios pode ser que até você se perca. Seja verdadeiro, se você tem algo que não pode partilhar ainda, não partilhe, mas quando partilhar, seja totalmente sincero, assim o outro não receberá um presente falsificado. Não caia na armadilha de querer criar falsa de você mesmo. Não fique se perguntando: o que será que os outros vão achar? Seja quem você e pronto.

O que não é Partilha?
Não é partilha, eu me sentir na obrigação de falar ou de fazer algum gesto concreto para com o outro. Nada do que é forçado em mim, chegará ao outro como partilha; ao contrário, sairá de mim como obrigação e chegará ao outro como algo frio e sem vida, por isso, não é partilha.
Não é partilha, eu analisar a partilha do outro, aquilo que o outro partilha é o sagrado dele, não tenho o direito de interferir para modificar , cabe-me acolher o outro como ele é, sem julgamentos ou preconceitos; posteriormente, se eu for uma pessoa íntima e tiver condições de ajudar o outro, devo procurá-lo pessoalmente para oferecer-lhe a minha ajuda, também através do diálogo e da Partilha.
Meus possíveis questionamentos à partilha do outro devem ser sempre na direção de ajudá-lo a me explicitar melhor o que ele está me partilhando.
Também não é partilha, quando eu faço ou falo algo esperando um retomo qualquer, no sentido da valorização de minha pessoa. A partilha é sempre gratuita, nada espera em troca, não busca aplau­sos, nem sucesso, é apenas o tesouro do meu momento presente que ofereço ao outro, nada mais; não espero que o outro me aplauda, não espero que o outro me reprove. Isto não significa ser indiferente aquilo que o outro me diz quando estou partilhando.
Também não é partilha, quando tenho segundas intenções ao partilhar. quando querendo conseguir algo do outro, utilizo-me da partilha para poder fazê-lo acreditar em mim ou perceber a minha intenção secreta.
A partilha é sempre aberta e verdadeira, e nada do que for velado em mim, pode ser consi­derado tesouro livre e liberado do meu coração para o coração do outro. Pos­so não ter condições de partilhar tudo naquele momento, mas, é importante que o que partilho seja a verdade, a minha realidade.
Não é partilha, quando eu percebo que o outro não tem condições de me ouvir ou acolher o meu gesto e mesmo assim. eu insisto em lhe falar ou fazer-lhe alguma coisa. A partilha sempre respeita o outro. nunca o atropela; saber partilhar é saber esperar o momento certo para me dar ao outro, caso contrário, sempre corro o risco de jogar fora o tesouro do meu coração por não ter tido a sabedoria de aguardar o momento em que o outro poderia rece­bê-lo. Por isso, isto também não é partilha.

O QUE PARTILHAR?
Concretamente, nós podemos partilhar tudo, mas podemos di­vidir o objetivo de nossas partilhas em dois tipos: PARTILHAR O QUE SOMOS E PARTILHAR OQUE TEMOS. Quando partilhamos o que somos, partilhamos nossas IDÉIAS, nossos SENTIMENTOS, nossos GESTOS, e quando partilhamos o que temos, partilhamos nossas COISAS, nossos pertences...
Vivemos em um mundo impregnado pelo egoísmo e por carên­cias das mais variadas espécies, é preciso descobrir a necessidade de partilharmos as pessoas, os outros, sabermos que não somos donos de ninguém, pois toda pessoa deve ser livre e o único modo de experi­mentarmos esta forma de partilha é vivendo a partilha a partir do Amor.
O Amor nos deixa livres para permitirmos que o outro cresça e caminhe com suas próprias pernas rumo ao seu caminho de amadure­cimento.
Se não houver Amor, quando chegar a hora de partilhar o ou­tro, vamos querer aprisionar, ficar com o outro para nós o máximo que pudermos. Esta não é a mentalidade do Amor. Por isso, vivamos o máximo que pudermos a Realidade do Amor para que jamais deixemos de partilhar verdadeiramente.

Partilhamos Tudo?

Não, tudo depende de COM QUEM VOU PARTILHAR. Com al­guns sinto que posso partilhar X”, com outros, sinto que posso partilhar “Y”, e ainda com “w” quem sabe eu possa partilhar tudo, mas não é obrigado ter­mos que partilhar tudo com todos, nem sempre isto é possível, pois afinal, sem­pre contamos com os nossos limites e com os limites do outro.

O que é certo, é que uma profunda partilha só acontecerá se eu confiar plenamente na pessoa com quem vou partilhar.
Deste modo, com o passar do tempo vamos descobrindo que existem realida­des em nós que só podemos partilhar com um AMIGO, um grande Amigo. Por isso, convém ao longo de nossa vida insistir na construção de Amizades verda­deiras.
Amigos de verdade são raros; ao longo de nossa vida só conseguimos um ou dois no máximo... enquanto que bons colegas podemos ter inúmeros; mas, quem encontrar um amigo de verdade terá encontrado um valioso tesou­ro, que deverá cultivar para que não morra nunca, pois entre duas pessoas verdadeiramente amigas, a Partilha não encontra fronteiras.
A Partilha encon­trará fronteira entre cônjuges, pais, filhos, irmãos. . . jamais entre verdadeiros amigos. Por isso, se um dia quisermos viver a plena partilha, cultivemos desde já uma verdadeira amizade, inclusive com cônjuges, pais,irmãos...
No entanto, é sempre indispensável lembrarmos que, no além dos ami­gos, precisamos nos exercitar para partilhar, OUSAR EXISTIR, para que não nos acomodemos em nossos próprios limites, e lembrar que de uma verdadeira partilha poderá brotar uma grande amizade.
Em nossos encontros, fazemos uma experiência extraordinária da partilha, tudo o que se vive durante os encontros nos convida à partilha, mas em nossa formação cotidiana e no período de formação para lideranças e formação permanente, precisamos nos exercitar todos os dias e a toda hora para não perdermos a chance de OUSAR EXISTIR em nossos sentimentos, em nossas idéias, em nossos gestos, enfim, na partilha do que somos e temos.

Porque eu não partilho?


* O medo de abrir-se;
* O medo de não ser entendido:
* O julgamento daquilo que o outro partilhou:
* Expor o tesouro do outro para terceiros:
* Fazer brincadeiras ou piadas com o tesouro que o outro partilhou:
* Comentar indevidamente sobre a partilha do outro:
* Não acolher o outro enquanto ele partilha;
* Parar nas aparências e não escutar o coração do outro;
* Usar daquilo que o outro partilhou
em proveito próprio ou com segundas intenções;
* Mentir enquanto partilha:
* Usar uma máscara para partilhar para responder às expectativas
de grupos ou das circunstâncias.
* Falar dos outros na partilha, ao invés de falar de si mesmo:
* Falta de humildade para partilhar fracassos e dificuldades:
* Superficialidade naquilo que se partilha:
* Tumulto interior, não permitindo deixar o coração aquietar-se para partilhar com serenidade.

É importante diferenciarmos Partilha e Desabafo
A Partilha, como vimos, é um tesouro para guardarmos.
O Desabafo é a verbalização de um sofrimento desproporcionado do momento, que está me afogando e me impedindo de perceber a minha própria vida de maneira mais ajustada e realista.
Ouvindo o desabafo preciso estar consciente de que algo muito mais profundo foi tocado no coração da pessoa que está desabafando comigo; preciso saber que após este primeiro momento de desaba­fo, esta pessoa poderá ser ajudada a procurar o que de tão dolorido foi tocado nela.
Por isso, é tão importante saber escolher a pessoa com quem vai desabafar, caso contrário, a pessoa que ouve poderá desestrutu­rar-se, e ao invés de ajudar, poderá até complicar mais a quem desabaf­ou. Quando você precisar desabafar, procure uma pessoa suficientemente sólida para que possa escutar, sem amplificar ou minimizar o que você está dizendo; alguém que com serenidade possa lhe acolher sem reter para si aquilo que ouviu. Quem ouvir um desabafo, não guarde para si, entregue-o nas mãos de Deus para que Ele liberte a pessoa que está desabafando.
Um lembrete importante; quando for desabafar, diga sempre à pessoa que vai lhe ouvir: isto é um desabafo, não é uma partilha, por isso, apenas ouça-me e nada mais; não é para lhe ferir, nem para lhe machucar, é apenas para que saia de dentro de mim e que pela sua escu­ta fraterna, você me ajude a criar espaço dentro de mim para ter condi­ções de buscar mais profundamente o que me atingiu.

QUESTIONAMENTO

1. Releio e sublinho o que eu reconheço no texto que vivo .
2. Anoto o que eu ainda não consigo viver e que preciso me esforçar para melhorar
3. Respondo: O que posso fazer concretamente para viver a partilha de maneira correta, construtiva para mim e para os outros?


Amigo (a) sempre será oportuno você partilhar com alguém de sua confiança.


Um momento de oração:
Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum” (At. 2.44)

Senhor, ajuda-nos a entender na profundidade do nosso coração, o que é partilhar com os irmãos a realidade de quem somos por dentro; o que é partilhar aquilo que sentimos positivo ou negativo em nós e auxilia-nos com a tua graça para que possamos, com primeiros cristãos, colocar tudo em comum através da partilha. Amém.



Fonte: Escritos de Pe.Pedro Cunha e Ir.Maria de Lourdes Sávio.

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