Fonte: http://culturasamonte.blogspot.com/2012/02/90-anos-da-semana-de-arte-moderna.html
90 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA
ESTÁ FUNDADO O DESVAIRISMO...
A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, aconteceu em São Paulo em 1922, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro, no Teatro Municipal.
Teatro Municpal de São Paulo
Nessa época, o Rio de Janeiro era reduto da burguesia tradicionalista e conservadora. São Paulo tinha apenas a metade da população do Rio, mas, incentivado pelo progresso e pelo afluxo de imigrantes italianos, tornou-se cenário ideal para o desenvolvimento do processo do modernismo. Os jovens organizadores do movimento estavam insatisfeitos com a cultura vigente, submetida a modelos importados, e buscavam uma arte verdadeiramente brasileira.
Tudo começou em 1913, com a primeira exposição de arte moderna do expressionista Lasar Segall, com o escândalo provocado pela exposição de Anita Malfatti entre dezembro de 1917 a janeiro de 1918 e a “descoberta” do escultor Victor Brecheret, em 1920, recém chegado de Roma. Mas foi a exposição de Anita Malfatti que instigou os artistas e jovens intelectuais a se organizar como grupo e a promover a semana de arte moderna nacional.
Antopofagia - Tarcila do Amaral
O objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade com "a perfeita demonstração do que há em nosso meio através da escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual", como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922.
Um grupo importante de renovadores
Emiliano Di Cavalcanti foi o idealizador da Semana de Arte Moderna de 1922. Participou de sua organização, fez os catálogos e programas e expôs doze pinturas.
Cinco moças de Guaratinguetá - Di Cavalcanti
De acordo com o catálogo da mostra, participavam da Semana os seguintes artistas: Anita Malfati, Di Cavalcanti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro e Oswaldo Goeldi, com pinturas e desenhos.
O Faral - Anita Malfatti
Marcavam presença, ainda, Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haaberg, com esculturas; Antônio Garcia Moya e Georg Przyrembel, com projetos de arquitetura.
Ave Maria - Victor Brecheret
Além disso, havia escritores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Ribeiro Couto e Guilherme de Almeida.
Macunaíma - Livro de Osvald de Andrade
Na música, estiveram presentes nomes consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana.
Heitor Villa-Lobos em Paris
Manuel Bandeira, mesmo distante, provocou inúmeras reações de agrado e de ódio devido a seu poema "Os Sapos", que fazia uma sátira do Parnasianismo, poema esse que foi lido durante o evento.
Tarsila do Amaral não participou da Semana de Arte Moderna, pois estava na Europa. Depois integrou o "Grupo dos Cinco" formado por ela, Anita Malfatti, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Paulo Menotti Del Picchia.
A Semana de Arte Moderna de 1922 marcou o modernismo brasileiro e sua identidade nacional. Através do empresário Paulo Prado, Di Cavalcanti imaginou um evento que causasse impacto e escândalo. Desta semana tomaram parte pintores, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais. Durante três dias, o Teatro Municipal de São Paulo foi tomado por sessões literárias e musicais no auditório, além da exposição de artes plásticas no saguão. O objetivo de Di Cavalcanti foi atendido, pois as manifestações causaram impacto e foram mal recebidas pela plateia formada pela elite paulista, o que contribuiu para abrir o debate e a difusão das novas idéias em âmbito nacional.
13 de fevereiro de 1922
A Semana de Arte Moderna é inaugurada no Teatro Municipal de São Paulo com palestra do escritor Graça Aranha, ilustrada por comentários musicais e poemas de Guilherme de Almeida. O primeiro dia corre sem tropeços. Depois da longa e erudita fala de Graça Aranha, um conjunto de câmara ocupa o palco para executar obras de Villa-Lobos. Após o intervalo, Ronald de Carvalho discursa sobre pintura e escultura modernas. A plateia começa a se manifestar. Diante dos zurros do público, Ronald de Carvalho devolve: "Cada um fala com a voz que Deuslhe deu.” O "gran finale" surge na forma de um recital de música comandado pelo maestro Ernani Braga.
15 de fevereiro de 1922
A noite que celebrizou a semana começa com um discurso de Menotti del Picchia sobre romancistas contemporâneos, acompanhado por leitura de poesias e números de dança. É aplaudido. Mas, quando foi anunciado Oswald de Andrade, começaram as vaias e insultos na platéia, que só param quando sobe ao palco a aclamada pianista Guiomar Novaes. (Acredita-se que as vaias foram iniciadas por um grupo, em combinação com Di Cavalcanti).
7 de fevereiro de 1922
A última noite da programação é totalmente dedicada à música de Villa-Lobos. Heitor Villa-Lobos se apresenta no palco do Municipal apoiado em um guarda-chuva e calçando chinelos. As vaias continuam até que a maioria pede silêncio para ouvi-lo. Os instrumentistas tentam executar as peças incluídas no programa apesar do barulho feito pelos espectadores e levam o recital até o fim.
A SEMANA DE ARTE MODERNA foi um acontecimento que, aos poucos, consolidou certos grupos e suas ideias, e que passaram a ter um espaço em livros, revistas e manifestos. Em Minas Gerais, o movimento foi acolhido por Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Emílio Moura, Abgar Renault e João Alphonsus. No Rio Grande do Sul, Mário Quintana, Augusto Meyer, Pedro Vergara e Guilhermino César. No Nordeste, José Américo de Almeida, Jorge de Lima e outros.
Manifesto Antropofágico
Início:
“Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupy, or not tupy is the question.”
Término:
“Contra a realidade social, vestida e opresssora, cadastrada por Freud- a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.”
Oswald de Andrade - Em Piratininga Ano 374 da deglutição do Bispo Sardinha. Revista de Antropofagia (São Paulo), n.1, ano 1, maio de 1928
Paisagem n.4: do Livro Pauliceia Desvairada de Mário de Andrade
Os caminhões rodando, as carroças rodando,
rápidas as ruas se desenrolando,
rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos...
E o largo coro de ouro das sacas de café!... (...)
Oh! este orgulho máximo de ser paulistanamente!!!
Juca Mulato: “A voz das coisas" de Menotti Del Picchia
Juca olhou para a terra e a terra muda e fria
pela voz do silêncio ela também dizia:
pela voz do silêncio ela também dizia:
"Juca Mulato, és meu! Não fujas que eu te sigo.
Onde estejam teus pés, eu estarei contigo.
Tudo é nada, ilusão! Por sobre toda a esfera
há uma cova que se abre, há meu ventre que espera.”
Onde estejam teus pés, eu estarei contigo.
Tudo é nada, ilusão! Por sobre toda a esfera
há uma cova que se abre, há meu ventre que espera.”
São Paulo: Sérgio Milliet
Canto a cidade das neblinas
e dos viadutos
minha cidade
amante de futebol e vendedora de café
Canto a cidade das neblinas
e dos viadutos
minha cidade
amante de futebol e vendedora de café
(...)
Amo também teus plátanos nostálgicos
imigrantes infelizes
teus crepúsculos de seda japonesa
tuas ruas longas de casas baixas
e teu triângulo provinciano...
Baseado em:
aartemoderna.blogspot.com/2006/04/tarsila.html








Nenhum comentário:
Postar um comentário