1.INTRODUÇÃO
Arte contemporânea, reunião de uma notável diversidade de estilos, movimentos e técnicas. Essa ampla variedade de estilos inclui a penetrante pintura realista Gótico americano (Grant Wood, 1930), que retrata um casal de agricultores do Centro-oeste americano e, ainda, os ritmos abstratos da tinta salpicada da pintura Preto e branco (Jackson Pollock, 1948, acervo particular). No entanto, mesmo que fosse possível dividir a arte contemporânea por obras figurativas, como o Gótico americano, e por obras abstratas, como Preto e branco, encontraríamos uma surpreendente variedade de estilos dentro dessas duas categorias.
Arte contemporânea, reunião de uma notável diversidade de estilos, movimentos e técnicas. Essa ampla variedade de estilos inclui a penetrante pintura realista Gótico americano (Grant Wood, 1930), que retrata um casal de agricultores do Centro-oeste americano e, ainda, os ritmos abstratos da tinta salpicada da pintura Preto e branco (Jackson Pollock, 1948, acervo particular). No entanto, mesmo que fosse possível dividir a arte contemporânea por obras figurativas, como o Gótico americano, e por obras abstratas, como Preto e branco, encontraríamos uma surpreendente variedade de estilos dentro dessas duas categorias.
Da mesma forma que o Gótico americano, pintado com
precisão, é figurativo, a Marilyn Monroe (Willem de Kooning, 1954, acervo
particular) pode ser considerada figurativa, apesar de suas pinceladas largas
mal sugerirem os rudimentos de um corpo humano e características faciais. O
abstracionismo, além disso, apresenta uma série de abordagens distintas: desde
os ritmos dinâmicos de Pollok em Preto e branco à geometria de ângulos retos da
Composição em vermelho, amarelo e azul (Piet Mondrian, 1937-1942, Tate Gallery,
Londres), cujas linhas e retângulos
sugerem a precisão mecânica da máquina. Outros artistas preferiram uma estética
da desordem, como no caso do artista alemão Kurt Schwitters, que misturou
jornais, selos e outros objetos para criar a Imagem com um centro luminoso
(1919, Museu de Arte Moderna, Nova York).
Assim, o século XX apresenta mais do que variedade
de estilos. Foi no período moderno que os artistas produziram pinturas não
somente com materiais tradicionais, como o óleo sobre tela, mas também com
qualquer material que estivesse disponível. Essa inovação levou a criações
ainda mais radicais, como a arte conceitual e a arte performática. Com isso,
ampliou-se a definição de arte, que passou a incluir, além de objetos
palpáveis, idéias e ações.
2. CARACTERÍSTICAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA
Devido a essa diversidade, é difícil definir a arte contemporânea incluindo toda a arte produzida no século XX. Para alguns críticos, a característica mais importante da arte contemporânea é sua tentativa de criar pinturas e esculturas voltadas para si mesmas e, assim, distinguir-se das formas de arte anteriores, que transmitiam idéias de instituições políticas ou religiosas poderosas. Já que os artistas contemporâneos não eram mais financiados por essas instituições, tinham mais liberdade para atribuir significados pessoais às suas obras. Essa atitude é, em geral, denominada como arte pela arte, um ponto de vista quase sempre interpretado como arte sem ideologia política ou religiosa. Ainda que as instituições governamentais e religiosas não patrocinassem a maioria das artes, muitos artistas contemporâneos procuraram transmitir mensagens políticas ou espirituais.
Devido a essa diversidade, é difícil definir a arte contemporânea incluindo toda a arte produzida no século XX. Para alguns críticos, a característica mais importante da arte contemporânea é sua tentativa de criar pinturas e esculturas voltadas para si mesmas e, assim, distinguir-se das formas de arte anteriores, que transmitiam idéias de instituições políticas ou religiosas poderosas. Já que os artistas contemporâneos não eram mais financiados por essas instituições, tinham mais liberdade para atribuir significados pessoais às suas obras. Essa atitude é, em geral, denominada como arte pela arte, um ponto de vista quase sempre interpretado como arte sem ideologia política ou religiosa. Ainda que as instituições governamentais e religiosas não patrocinassem a maioria das artes, muitos artistas contemporâneos procuraram transmitir mensagens políticas ou espirituais.
O pintor russo Wassily Kandinsky, por exemplo, achou que a cor combinada
com a abstração poderia expressar uma realidade espiritual fora do comum,
enquanto que o pintor alemão Otto Dix criou obras de cunho abertamente político
que criticavam as diretrizes do governo alemão.
Outra teoria defende que a arte contemporânea é
rebelde por natureza e que essa rebeldia fica mais evidente na busca da
originalidade e de vontade de surpreender. O termo “vanguarda”, aplicado à arte
contemporânea com freqüência, vem da expressão militar avant-gard — que em
francês (ver Língua francesa) significa vanguarda — e
sugere o que é moderno, novo, original ou avançado.
Muitos artistas do século XX tentaram redefinir o significado de arte ou
ampliar a definição de modo a incluir conceitos, materiais ou técnicas jamais
antes a ela associadas. Em 1917, por exemplo, o artista francês Marcel Duchamp
expôs uma produção em massa de objetos utilitários, inclusive uma roda de
bicicleta e um urinol, como se fossem obras de arte.
Nas décadas de 1950 e de 1960, o artista americano
Allan Kaprow usou seu próprio corpo como veículo artístico em espetáculos
espontâneos que, segundo ele, eram representações artísticas. Nos anos 1970, o
artista americano que seguia o estilo do earthwork, Robert Smithson, usou
elementos do meio ambiente — terra, rochas e água — como material para suas
esculturas.
Como conseqüência, muitas pessoas
associam a arte contemporânea com aquilo que é radical e perturbador. Ainda
que a teoria da rebeldia pudesse ser aplicada para explicar a busca por
originalidade que motivava um grande número de artistas do século XX, seria
difícil aplicá-la a um artista como Grant Wood, cuja obra Gótico americano
rejeitou claramente o exemplo da arte de vanguarda de sua época.
Outra característica fundamental da arte contemporânea é o seu fascínio
pela tecnologia moderna e a utilização de métodos mecânicos de reprodução, como
a fotografia e a impressão tipográfica. No início da década de 1910, o artista italiano
Umberto Boccioni procurou glorificar a precisão e a velocidade da era
industrial em suas pinturas e esculturas. Por volta da mesma época, o pintor
espanhol Pablo Picasso incorporou às suas pinturas uma nova técnica, a colagem,
que usava recortes de jornais e outros materiais impressos.
Seguindo a mesma linha, porém, outros artistas
contemporâneos buscaram inspiração nos impulsos espontâneos da arte infantil ou
na exploração das tradições estéticas tradicionais de culturas que não fossem
industrializadas ou ocidentais.
O artista francês Henri Matisse e o
suíço Paul Klee foram influenciados por desenhos de crianças;
Picasso observou de perto máscaras africanas e Pollock desenvolveu sua técnica
de salpicar tinta sobre a tela, inspirando-se nas pinturas com areia dos índios
norte-americanos.
Sob outra perspectiva, porém, afirma-se que a
motivação básica da arte contemporânea é criar um diálogo com a cultura
popular. Com essa finalidade, Picasso colou pedaços de jornal em suas pinturas,
Roy Lichtenstein transportou tanto o estilo quanto o tema das histórias em
quadrinhos para suas pinturas e Andy Warhol fez a representação das sopas
enlatadas Campbell. No entanto, ainda que derrubar as barreiras entre a arte de
elite e a cultura popular seja algo típico de Picasso, de Lichtenstein e de
Warhol, não é típico de Mondrian, Pollock ou da maioria dos abstracionistas.
Cada uma dessas teorias é convincente e poderia
explicar as muitas estratégias usadas pelos artistas contemporâneos. No
entanto, até mesmo essa breve análise mostra que a arte do século XX é diversa
demais para se encaixar em qualquer uma de suas muitas definições. Cada teoria
pode contribuir para resolver uma parte do quebra-cabeça, mas nenhuma delas em
separado representa a solução.
3.ORIGENS
A arte do final do século XIX antecipou muitas das características da arte contemporânea. Elas incluem a idéia da arte pela arte, a ênfase na originalidade, a exaltação da tecnologia moderna, o fascínio pelo primitivo e o compromisso com a arte popular.
3.ORIGENS
A arte do final do século XIX antecipou muitas das características da arte contemporânea. Elas incluem a idéia da arte pela arte, a ênfase na originalidade, a exaltação da tecnologia moderna, o fascínio pelo primitivo e o compromisso com a arte popular.
4.IMPRESSIONISMO
A exaltação da arte pela arte surgiu com os artistas franceses associados ao impressionismo, como Édouard Manet, Claude Monet, Edgar Degas e Berthe Morisot. Na década de 1870, ao abandonarem as referências diretas aos temas religiosos e históricos, muitos dos impressionistas romperam com o padrão de arte francês e expuseram suas pinturas de forma independente, antecipando o desejo dos artistas modernos de tornarem-se independentes das instituições estabelecidas. Ao pintar cenas da vida quotidiana, especialmente a dos bares e teatros locais, os impressionistas anteciparam o interesse da arte contemporânea pela cultura popular. Retratando estradas de ferro, pontes e exemplos da nova arquitetura que usava o ferro, eles anunciaram o fascínio da arte contemporânea pela tecnologia.
A exaltação da arte pela arte surgiu com os artistas franceses associados ao impressionismo, como Édouard Manet, Claude Monet, Edgar Degas e Berthe Morisot. Na década de 1870, ao abandonarem as referências diretas aos temas religiosos e históricos, muitos dos impressionistas romperam com o padrão de arte francês e expuseram suas pinturas de forma independente, antecipando o desejo dos artistas modernos de tornarem-se independentes das instituições estabelecidas. Ao pintar cenas da vida quotidiana, especialmente a dos bares e teatros locais, os impressionistas anteciparam o interesse da arte contemporânea pela cultura popular. Retratando estradas de ferro, pontes e exemplos da nova arquitetura que usava o ferro, eles anunciaram o fascínio da arte contemporânea pela tecnologia.
Por serem os primeiros a usar novas técnicas
artísticas — isto é, aplicar a tinta com pinceladas pequenas
e descontínuas — e a intensificar suas cores, anteciparam o fascínio moderno
pela originalidade.
5.PÓS-IMPRESSIONISMO
Nas últimas duas décadas do século XIX, vários artistas inspirados pelo estilo e técnicas impressionistas reagiram veementemente a eles. Esses artistas, que mais tarde foram chamados de pós-impressionistas, estabeleceram uma série de abordagens diferentes na pintura, e cada uma delas repercutiria de forma marcante na arte do século XX.
Paul Gauguin rejeitou a técnica impressionista de
aplicar toques de cor separadamente, em pequenas pinceladas, e preferiu usar
grandes áreas cobertas por uma única cor contornada por linhas fortes.
Essa inovação influenciou Matisse e o traço de artistas posteriores, que
usaram a cor mais como artifício expressivo do que como meio de copiar a
natureza. Em 1891, Gauguin estabeleceu-se no Tahiti,
Pacífico Sul, motivado pela ruptura de seu relacionamento com van Gogh e pelo
desejo de abandonar a civilização ocidental e viver mais simplesmente. Seu
trabalho no Tahiti contribuiu para o fascínio moderno pela arte não ocidental.
O pintor holandês Vincent van Gogh usou tanto as cores quanto a pincelada para
traduzir, para a linguagem visual, seu conturbado estado emocional.
Além disso,impregnou
sua obra com significados religiosos ou alegóricos — corvos negros simbolizando
a morte, por exemplo — contrariando a ênfase impressionista na observação
direta.
A obra do pintor norueguês Edvard Munch baseava-se na premissa de que,
por objetivos expressivos, a pintura podia sacrificar a fidelidade à natureza. Munch
usou combinações de cores fortes, formas distorcidas e perspectivas exageradas
para dar forma visual à alienação do homem na sociedade industrial moderna. As
obras de Gauguin, van Gogh e Munch abriram espaço para o desenvolvimento
posterior do expressionismo nas artes do século XX.
Outros artistas pós-impressionistas
reagiram ao impressionismo de maneira diferente.
O artista francês Georges Seurat procurou elevar a
arte ao nível da ciência, incorporando as últimas teorias sobre luz e cor à sua
obra. Dividiu as cores em seus elementos primários — o roxo foi decomposto em
azul e vermelho e o verde em azul e amarelo — e aplicou essas cores às suas
telas, ponto a ponto.
Esse método, chamado de pontilhismo, tinha
como objetivo eliminar qualquer intuição e impulso do ato de pintar. Paul
Cézanne, outro pós-impressionista, introduziu mais estrutura no que via como
uma prática não sistemática do impressionismo. Os objetos aparecem de forma
mais sólida e tangível em suas pinturas do que nas obras de seus colegas
impressionistas.
Mas, apesar
dessa maior solidez, Cézanne contribuiu, mais do que qualquer outro artista
anterior, para desestabilizar a integridade da forma através de distorções
sutis e aparentes imprecisões em muitas pinturas de natureza morta. Os objetos
não repousam confortavelmente sobre suas bases. Os vasos podem ser vistos de
diferentes perspectivas e têm bordas quando vistos de cima. As bordas
horizontais das mesas, quando projetadas de qualquer um dos lados de uma toalha
de mesa, às vezes não casam. A impressão é que Cézanne tentava destruir a mesma
solidez que introduziu na representação dos objetos. Cézanne também fez uma
inovação radical em obras como Mont Sainte Victoire (1890-1906, Museu
Metropolitano de Arte, Nova York): a beirada da montanha se abre para permitir
que partes do céu penetrem nela, artifício que desfaz a solidez da pedra. Com
esse gesto simples, Cézanne alterou o curso da história da arte. Duas entidades
físicas, o céu e a terra, até então distintas e separadas, agora eram
intercambiáveis. O mundo como é visto e vivenciado, parecia não ter tanta
importância para Cézanne quanto as leis da criação das imagens. Após este
exemplo, o mundo da realidade e o mundo da arte começaram a se distanciar. A
fragmentação iniciada pela obra de Cézanne levou às posteriores experimentações
com as formas feitas por Picasso e à invenção do cubismo.
6. PRIMEIRAS DÉCADAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA
Os historiadores da arte têm relacionado a fragmentação da forma na arte do fim do século XIX e início do XX à fragmentação da sociedade da época. As crescentes realizações tecnológicas da Revolução Industrial ampliaram a distância entre as classes média e trabalhadora. As mulheres lutavam por direitos de igualdade e de voto.
Os historiadores da arte têm relacionado a fragmentação da forma na arte do fim do século XIX e início do XX à fragmentação da sociedade da época. As crescentes realizações tecnológicas da Revolução Industrial ampliaram a distância entre as classes média e trabalhadora. As mulheres lutavam por direitos de igualdade e de voto.
A visão da
mente, apresentada pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud, estipulava que a
psique humana, longe de estar unificada, era repleta de conflitos e
contradições emocionais. A descoberta da radiografia, a teoria da relatividade
de Albert Einstein e outras inovações tecnológicas sugeriam que a experiência
visual já não correspondia mais à visão de mundo da ciência. Várias formas de
criatividade artística refletiram essas tensões e desenvolvimentos.
Na literatura, James Joyce, T. S. Eliot e
Virginia Woolf experimentaram novas estruturas narrativas, gramática, sintaxe e
ortografia.
Na dança, Sergei Diaghilev, Isadora Duncan e Loie
Fuller revolucionaram em figurinos e coreografias pouco convencionais.
Na música, Arnold Schönberg e Igor Stravinski
compuseram obras que não dependiam da estrutura melódica tradicional. A música,
além de ter sido uma das artes em que mais foram feitas experiências,
transformou-se na grande fonte de inspiração para as artes visuais.
No final do século XIX e no começo do XX,
muitos críticos de arte foram influenciados pelos filósofos alemães Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche, que
haviam proclamado que a música era a mais poderosa de todas as artes, já
que causava emoções por si, e não através da imitação do mundo.
Muitos pintores do movimento simbolista
do final do século XIX, como Odilon Redon e Gustave Moreau, tentaram superar o
poder de sugestão direto da música, pintando formas abstratas, realidades mais
imaginárias do que o observável. Redon e os simbolistas criaram as bases para a
arte abstrata.
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