Ouvimos falar de improvisação em música, ou de alguém que resolve um problema recorrendo ao que tinha mais à mão, inesperadamente, ou então como prática teatral
Portanto, será que improvisação no teatro é inventar o que fazer ou dizer, criação espontânea, automática, sem pensar? Será fazer qualquer coisa não importa o quê?
Será que improvisação é lutar com o vazio, com o não saber o que fazer e dizer, é fazer coisas malucas, é deitar para fora qualquer coisa para que depois se aproveite o que for de aproveitar?
Viola Spolin no seu livro "Improvisação para o Teatro" põe as coisas nestes termos:
- Improvisação é sempre algo de concreto apoiado em eixos muito concretos (Onde, Quem e O Quê);
- Há uma diferença entre fisicalizar o que se passa e produzir falatório, entre mostrar uma realidade e descrever uma realidade, entre ter um foco de atenção e não ter, entre criar algo e inventar qualquer coisa, entre obedecer ao Onde, Quem e O Quê e planear antecipadamente o Como (se fará a improvisação);
- É algo que se joga, pratica e exercita, tão claramente como qualquer outro jogo - com as regras tão transparentes para quem faz como para quem vê - sendo na verdade uma resolução de problemas de actuação, ou quase charadas teatrais (Como mostrar Quem sou através d´O Que faço?, por exemplo).
Dois casos:
A)Improvisação abstracta, como a da composição de tema livre dos tempos da primária, só poderá ser resolvida se houver algo de concreto em que trabalhar. Se derem, digamos, uma frase sobre a qual improvisar, que essa frase sirva para se determinar Quem, O quê ou Onde. A partir daí é fazer como sugere Viola Spolin, escolher um problema de actuação para resolver, em directo, em comunicação com essa plateia. Sem problemas não temos soluções.
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