O PAÍS DE EVILATH – (Luís Fernando Emediato)
No
princípio era tudo escuro, vão e vazio. As trevas cobriam a face do abismo, e
eu era muito criança para entender as coisas. Mas, ainda assim, eu percebia que
nosso pai não era um homem comum. Ele chegava e saía como se fosse o vento, as
águas, o fogo ou o próprio Deus em busca de um sentido para a sua existência.
Mas
pouco a pouco nós fomos crescendo e começamos a entender tudo. Nosso pai
procurava o que todos nós haveremos de procurar um dia, se quisermos provar a
nós mesmos que estamos vivos. E naquele tempo, como ainda hoje, ele procurava o
país de Evilath, onde nasce ouro e todas as pessoas são certamente felizes.
À
noite, sem sono, eu sonhava acordado com esse país estranho. Em Evilath todas
as pessoas eram boas e perfeitas. Talvez se comunicassem por sorrisos, quem
sabe se beijassem na testa, para dizer bom dia ou boa tarde, quem sabe não
houvesse mendigos, nem fome, nem escuridão. Evilath, dizia papai com os olhos
brilhando, era um país amplo e largo.
Às
vezes, eu pensava que esse lugar só podia existir na imaginação de papai, mas
mesmo assim gostava de fechar os olhos e imaginar todos nós naquele país por
onde passava um rio chamado Fison. Era o país do nosso pai, e eu gostava dele.
Karl Rahner diz que se os crentes e os não -
crentes desejam entrar em diálogo é porque existe uma base humana comum, que é
a consciência de que há algo que nos supera e nos permite conversar. Cada ser
humano é composto por um mistério absoluto que o habita. A nossa existência
apela ao mistério.
Ranher concebe uma teologia a partir da realidade humana. A teologia compromete o teólogo no mais profundo do seu ser, ele como crente está implicado na reflexão teológica. Como crente que é não pode falar como se o não fosse.
O fato de começar a fazer perguntas sobre mim próprio leva-me a começar a entrar no Mistério de Deus. Partir da minha incompreensibilidade para chegar à incompreensibilidade de Deus. Partir do meu mistério para o Mistério de Deus. Levantar estas perguntas sobre mim leva-me a fazer afirmações que não compreendo até que percebo que devo deixar as minhas afirmações, mergulhar no Mistério de Deus. É estando a braços com estas afirmações sobre mim próprio que começo a fazer experiência da incompreensibilidade de Deus. Deus não começa só onde acabam as minhas palavras, Ele está impregnado no meu ser. O ser humano é aquele que se perde na incompreensibilidade de Deus. O ser humano é misterioso porque vive impregnado por Deus. O ser humano não é compreensível nele mesmo. A experiência da nossa incompreensibilidade já é o que chamamos Deus. Estamos já a tocar Deus. O ser humano é inefável porque Deus é inefável. O ser humano deve ser compreendido como aquele que é dotado da "auto comunicação de Deus". A «experiência transcendental» não é um fato da minha vontade, existe independentemente de eu querer ou não. É uma abertura radical do ser humano à realidade transcendente. Porque estou aberto a esta realidade, não me satisfaz qualquer coisa do mundo. Nós somos esta experiência transcendental. Ela está anterior a tudo. É uma realidade fundamental do ser humano. Eu posso aceitá-la, rejeitá-la ou contradizê-la, o que não quer dizer que não exista. Não é uma experiência objetivável. É "um estar aí" fundamental. Abertura "à priori" ao Mistério divino. Cada um vive esta experiência na realidade do quotidiano. Não me é dado decidir se eu vou ou não ter esta experiência pois ela está em mim. Processo contínuo de auto-transcendência. A inteligência humana está apta a receber a revelação de Deus o que é preciso é o diálogo interior. Esta experiência transcendental é algo que escapa ao olhar habitual.
Ranher concebe uma teologia a partir da realidade humana. A teologia compromete o teólogo no mais profundo do seu ser, ele como crente está implicado na reflexão teológica. Como crente que é não pode falar como se o não fosse.
O fato de começar a fazer perguntas sobre mim próprio leva-me a começar a entrar no Mistério de Deus. Partir da minha incompreensibilidade para chegar à incompreensibilidade de Deus. Partir do meu mistério para o Mistério de Deus. Levantar estas perguntas sobre mim leva-me a fazer afirmações que não compreendo até que percebo que devo deixar as minhas afirmações, mergulhar no Mistério de Deus. É estando a braços com estas afirmações sobre mim próprio que começo a fazer experiência da incompreensibilidade de Deus. Deus não começa só onde acabam as minhas palavras, Ele está impregnado no meu ser. O ser humano é aquele que se perde na incompreensibilidade de Deus. O ser humano é misterioso porque vive impregnado por Deus. O ser humano não é compreensível nele mesmo. A experiência da nossa incompreensibilidade já é o que chamamos Deus. Estamos já a tocar Deus. O ser humano é inefável porque Deus é inefável. O ser humano deve ser compreendido como aquele que é dotado da "auto comunicação de Deus". A «experiência transcendental» não é um fato da minha vontade, existe independentemente de eu querer ou não. É uma abertura radical do ser humano à realidade transcendente. Porque estou aberto a esta realidade, não me satisfaz qualquer coisa do mundo. Nós somos esta experiência transcendental. Ela está anterior a tudo. É uma realidade fundamental do ser humano. Eu posso aceitá-la, rejeitá-la ou contradizê-la, o que não quer dizer que não exista. Não é uma experiência objetivável. É "um estar aí" fundamental. Abertura "à priori" ao Mistério divino. Cada um vive esta experiência na realidade do quotidiano. Não me é dado decidir se eu vou ou não ter esta experiência pois ela está em mim. Processo contínuo de auto-transcendência. A inteligência humana está apta a receber a revelação de Deus o que é preciso é o diálogo interior. Esta experiência transcendental é algo que escapa ao olhar habitual.
A PARÁBOLA DO PERDÃO
(Colaboração Profª Dora –
Jandaia do Sul).
Quem ama perdoa. Mas, quantas vezes devemos perdoar?
Certo rei resolveu acertar as contas com os
seus devedores. O primeiro a ser chamado devia-lhe dez talentos, uma quantia
astronômica. O devedor não podia pagar nem os juros da fabulosa dívida. Por
isso o rei ordenou que seus bens fossem tomados. Pior ainda: ele, a mulher e os
filhos deveriam ser vendidos como escravos. Desesperado, o devedor ajoelhou-se
diante do rei e suplicou-lhe, chorando: - Tende compaixão de mim bom rei!
Dai-me um prazo que voz pagarei tudo! Comovido o rei perdoou-lhe toda a dívida.
O devedor deixou o palácio pulando de alegria. Na primeira esquina, encontrou
um velho conhecido que lhe devia uma quantia
insignificante de dinheiro. Você pode pensar que ele tenha dito ao
devedor: - “Você não precisa me pagar coisa alguma. Perdôo-lhe em homenagem ao
misericordioso rei que me perdoou tudo o que lhe devia”. Mas está enganado! Na
verdade, ele se aproximou do devedor, agarrou logo pelo pescoço e pôs-se a sufocá-lo, enquanto gritava: - Paga o que me
deves velhaco, se não te mato. O pobre homem caiu aos seus pés, rogando-lhe em
prantos: - Têm paciência comigo! Dê-me um prazo que lhe pagarei a dívida com
juros e tudo! Mas o credor cruel de nada quis saber. Mandou-o logo para a
prisão, dando ordens para que ficasse até que lhe pagasse a dívida. Informado
do que havia ocorrido, o rei mando chamar o credor cruel, e disse-lhe: - “Eu te
perdoei uma imensa dívida, porque não perdoastes uma pequena dívida de teu
irmão? Pois também irás para a prisão
até que me pagues o último centavo (Mateus 18,23-35)”.
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