Num primeiro contato, a palavra monumental parece não se encaixar apropriadamente na obra do artista suíço Alberto Giacometti. Contudo, essa impressão logo se desfaz ao adentrar a Pinacoteca do Estado, onde ocorre uma grande retrospectiva do artista. As quatro esculturas que recebem o espectador no Salão Octógono instigam uma percepção diferente daquilo que se pode pensar sobre monumentalidade. Afinal, a grandeza de uma obra está somente na forma como esta preenche o espaço e a vista?
As esguias figuras de Giacometti são de tamanha altivez e imponência que é impossível negar sua potência plástica. Tais esculturas se assemelham a troncos de árvore, que ascendem, com destino incerto, de maneira estreita, delgada.
As obras Homem que caminha e Mulher alta IV se relacionam com o espaço pela instabilidade dos contornos, e sua grandiosidade se revela também no vazio. O aparente isolamento dessas quatro grandes esculturas é ilusório, pois o olho é obrigado a percorrer o espaço que as envolve. O vazio intriga, mas o observador precisa enfrentá-lo: a figura é o centro do vazio, seu eixo principal.
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Esses fiapos de seres humanos, modelados aparentemente por ferramenta alguma que não os dedos do artista, parecem saídos da terra: são matéria pura. Aqui, a matéria e a forma como ela é trabalhada pelo artista transmitem percepções diferentes. De um lado, o bronze, que confere às obras um ar de permanência. De outro, a maneira como Giacometti esculpe, deixando à mostra sinais do fazer, sem polimento, que faz com que essas figuras se tornem orgânicas, vivas, como que brotadas do chão. Um homem nascendo da matéria ou um homem que definha, voltando ao estado bruto? A sensação do efêmero se revela no estilo de Giacometti, dando a impressão de que a qualquer momento essas figuras vão se desmanchar no espaço, deixando sobrar apenas o bronze.
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